Pular para o conteúdo principal

Educação Empreendedora

Brasil gasta menos de 40% da média da OCDE por aluno na escola pública

Brasil gasta US$ 5 mil por ano com cada aluno de escola pública; média da OCDE passa de US$ 13 mil

O Brasil desembolsa anualmente US$ 5 mil (cerca de R$ 26 mil) para cada aluno matriculado do 1º ao 5º ano do ensino fundamental na rede pública. O montante representa sequer 40% dos US$ 13,4 mil investidos, em média, pelos países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Dados do relatório internacional

Os números fazem parte do levantamento “Education at a Glance 2026”, lançado com base em estatísticas de 2023. O cálculo do investimento por estudante engloba despesas com salários de professores e funcionários, aquisição de materiais didáticos, custos operacionais e de manutenção dos prédios, aportes em infraestrutura e tecnologia, além de serviços essenciais como merenda e segurança.

Diante desse cenário, “para o Brasil, estar abaixo da média da OCDE significa ter menos recursos por estudante para enfrentar desafios que são maiores do que os desses outros países”, afirma Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco.

Posição do Brasil no ranking global

No estudo internacional, o país ocupa a 38ª colocação entre 44 nações avaliadas nos anos iniciais do ensino fundamental. Apenas seis territórios aplicam menos verba por estudante: Turquia (US$ 4.350), Colômbia (US$ 4.279), China (US$ 4.112), Romênia (US$ 3.709), África do Sul (US$ 3.141) e México (US$ 2.703).

No topo da lista está Luxemburgo, com gasto de US$ 32,2 mil por aluno — aproximadamente seis vezes e meia o patamar brasileiro. Outros destaques nos maiores investimentos são Suíça (US$ 21.890), Islândia (US$ 21.220) e Noruega (US$ 19.424).

A disparidade também se repete nas demais etapas de ensino. Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), o Brasil registra US$ 5.191 por aluno, enquanto a média do G20 chega a US$ 10.890 e a da OCDE alcança US$ 14.830. No ensino médio, o valor brasileiro é de US$ 5.711, ante US$ 12.160 do G20 e US$ 14.099 da OCDE.

Esforço fiscal versus realidade nas escolas

Apesar do baixo valor por estudante, o documento aponta que o país se destaca na proporção do Produto Interno Bruto (PIB) direcionada à educação básica. Nos anos finais do ensino fundamental, o governo brasileiro destina 1,23% do PIB, superando as médias da OCDE (0,74%) e do G20 (0,73%).

Com isso, o país investe proporcionalmente mais do que nações como Finlândia (1,15%), Estados Unidos (0,82%) e Luxemburgo (0,75%). No entanto, especialistas ressalvam que essa alta proporção não contradiz o baixo aporte por estudante.

“O investimento em relação ao PIB demonstra o esforço que o país está fazendo em relação à educação. Há um mérito nisso. Mas usar esse indicador para argumentar que o Brasil investe muito em educação não é adequado”, afirma Ernesto Martins Faria, diretor-fundador do Iede. “É o gasto por aluno que sinaliza o que costuma garantir boas condições nas escolas.”

O fenômeno ocorre porque economias mais ricas transformam uma mesma porcentagem do PIB em volumes muito maiores de dinheiro. Além disso, o Brasil possui uma proporção populacional de jovens na educação básica superior à maioria dos membros da OCDE, o que exige a divisão do orçamento entre mais pessoas.

“O percentual do PIB significa apenas o esforço que o país está realizando com relação à educação de sua população. O valor aplicado por estudante é que nos permite comparar as condições ofertadas pelos países para a educação em todos os seus níveis, etapas e modalidades”, pontua Nelson Amaral, da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca).

Para o especialista, são os valores individuais que efetivamente chegam às salas de aula na forma de remuneração, carreira docente e infraestrutura. “É este indicador que precisa ser destacado”, reforça.

Por fim, analistas lembram que a disponibilidade financeira isolada não assegura um ensino de qualidade, sendo indispensável uma administração pública eficiente que direcione o capital para as carências mais urgentes da rede de ensino.

Publicar comentário